terça-feira, 24 de fevereiro de 2009


Ainda
Eu ainda tenho medo, mas faço planos brilhantes. Eu sou cheia de dúvidas, mas estou certa de que um dia eu serei mais convicta. Eu ainda sinto vontades que não posso suprí-las.

Eu ainda sinto o vento e observo a chuva - e me acalmo com ela. Eu ainda chuto água da chuva nos meus amigos.

Eu ainda gosto de danoninho, eu ainda cômo sucrihos. Eu ainda separo a bolacha do recheio e cômo por partes. Eu ainda saboreio um salgadinho barato.

Eu ainda tenho medo de lagartixas, de sapos e ratos. Ainda tenho medo de ver o que não existe, de acordar de repente a noite e ter sensação de perigo.

Eu ainda gosto de roxo e de ver arco-íris. Eu ainda gosto de sentar no alpendre da casa da minha avó.

Eu ainda gosto destas sensações. Eu ainda acredito que vale a pena.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

...

Este futuro do pretérito me impede de ser mais.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Isso interessa?

O interessante da vida, não é o ciclo que involuntariamente imaginamos. Nascer, e logo descobrir que pode ficar de castigo no colégio, crescer, tirar habilitação, fazer besteiras e julgar meio mundo, amadurecer, e achar que tudo que fazia era banal, idiota..e morrer, sem ter tido oportunidade de ficar uma tarde naquela praia de areias brancas e mar azul, sentado numa rede, entre coqueiros, degustando de uma saborosa salada de frutas.

O interessante da vida, é saber que- dentre tantas coisas- somos, descaradamente submetidos a tantas situações que nem fita em nossos pensamentos. Aquela manhã que acordamos atrasadas, e temos que sair correndo atrás do ônibus, que viramos o pé - embelezados pelo salto quinze, e que nos descobrimos a passoa mais irritada ou mais calma do dia, por nada, ou por tudo.

O interessante da vida, é descobrirmos que hoje, a pessoa que mais temos prazer de estar perto, é a que mais facilmente tem o poder de nos irritar. E acharmos que o mundo está contra nós, mas somos abordados pelo sorriso da criança na próxima esquina. É chegarmos em casa depois de uma jornada cansativa de trabalho, e ficarmos trancados para fora, então sentar-se na calçada e tirar os sapatos, é a melhor decisão a ser tomada.

O interessante da vida é curvarmos às vontades, sem sabermos se dez minutos depois, aquilo nos fará sentir a pior pessoa do mundo ou, de fato, a mais realizada. Então, nos passamos por loucos e rimos sozinhos na rua, cantamos em voz alta, tomamos chuva com os amigos na praça do bairro movimentado, brincamos de esconde-esconde.

O interessante é sentarmos com os amigos para compartilhar sonhos, metas, planos, e ver em cada olhar, a vontade da perfeição e a insegurança da incerteza.

O interessante da vida é rir, chorar, ficar em silêncio, gritar, achar que é injustiçado, achar que vale a pena tentar, suar de calor, tremer de frio, esconder da chuva, ensopar com ela, e terminar a noite com pizza.

Tudo num mesmo ciclo, tudo num mesmo corpo, tudo num mesmo ser. Cultivando uma mesma essência.